7 de dezembro de 2012

minha mãe

como minha mãe afeta tudo isso:

"Ela dizia-nos que éramos más e que causávamos problemas para ela, dizia que éramos "boas para nada" (essa era uma de suas frases preferidas). A ironia era que todas as suas críticas apenas faziam com que eu e minha irmã nos esforçássemos cada vez mais para sermos boas, para sermos valorosas."

e o fato de eu tentar ser boa pra ele e mesmo assim não ser suficiente, foi... exaustivo pra mim. Foi um baque. Um quê de "boa pra nada".

"Cresci sentindo-me muito só, muito desprotegida, amedrontada e desvalorizada, tentando todo o tempo compensar o fato de ser um peso. Lembro-me de que costumava consertar as coisas quebradas na vizinhança, querendo guardar dinheiro e, de certa forma, ganhar meu sustento.

Isso aqui parece eu saindo do meu namoro com o Rafael e embarcando em outro..

Cresci e casei-me com dezoito anos porque estava grávida. Fui infeliz desde o início. Meu marido criticava-me o tempo todo. Sutilmente no começo, e depois mais cruelmente. Na verdade, eu sabia que não estava apaixonada por ele e casei-me assim mesmo. (a sorte é que eu não casei, o desespero foi grande antes). Não pensei que tivesse outra escolha. Foi um casamento de quinze anos (depois de ter percebido eu demorei dois anos pra terminar, é uma versão mini dessa história, eu achava que podia melhorar, que alguma hora ia ficar bom, que era só uma ma fase), pois levei todo esse tempo para acreditar que ser infeliz era motivo bastante forte para conseguir o divórcio. Saí daquele casamento desesperada atrás de alguém para me amar, mas sentindo-me desvalorizada e um fracasso, e certa de que não possuía nada para oferecer a um homem bom e gentil. (eu acreditei que estava pronta pra me envolver de novo, e me envolvi, de corpo e alma, e mais fundo ainda do que antes.)


E agora eu vejo com clareza

Se for seguir a lógica do livro, o Rafael era a minha mãe. E o Fernando o meu pai. E nenhum dos dois faz bem pra mim. Será? Eu sempre quis zelar pelos dois. A mágoa e a insatisfação por eu não ser perfeita e ver minha mãe exigir isso de mim sempre, me tornou a pessoa que eu sou. Percebo que apesar de cada um deles se parecer com um familiar diferente, há uma conexão: os dois são pessoas que possuiam algum tipo de problema. E eu me sentia confortável em tentar zelar e cuidar deles, de ajudar a resolver esses "problemas". E quando eu encontro a resistência à ajuda, eu sofro. Eu vejo que eu fazia com o Fernando coisas que me fazem lembrar minha mãe com o meu pai (ou comigo, acho que mais comigo do que com ele). (não com a mesma intensidade, não tão impositiva, pq eu sempre lutei pra não fazer parecido.) Hoje meu pai mesmo fala pra mim que não é saudável eu ficar com alguém que não sabe o que quer comigo, que não sabe o que quer da vida. Mas sabe, querer que a pessoa seja o melhor dela na verdade é o que minha mãe fazia comigo. Numa forma diferente e em um nivel muito mais intenso. Ela queria q eu fosse perfeita pra satisfazer ela. Eu queria que ele se desse bem para q eu pudesse ficar com ele, para q eu me sentisse segura ao lado dele. E eu estava disposta a qualquer coisa no mundo maluco dele. Mas desde que ele quisesse tb. E ele não quis, rejeitou todo meu desejo e carinho e zelo.


"É um velho clichê no campo da terapia o fato de as pessoas fre-qüentemente se casarem com alguém absolutamente igual à mãe ou ao pai, com quem entram em conflito durante o amadurecimento. O conceito não é muito exato. Não é tanto o fato de ser o parceiro que escolhemos absolutamente igual a mamãe ou papai, mas o fato de que com esse parceiro somos capazes de ter os mesmos sentimentos e enfrentar os mesmos desafios que encontramos ao crescermos; somos capazes de reproduzir a já tão conhecida atmosfera da infância, e usar os mesmos artifícios nos quais já temos tanta prática. Isso é o que, para muitos de nós, constitui o amor. Sentimo-nos à vontade, confortáveis e extraordinariamente "corretos" com a pessoa com quem podemos nos comportar familiarmente e sentir todos os sentimentos familiares. Mesmo que nosso comportamento nunca tenha sido correto e que os sentimentos sejam desconfortáveis, são o que conhecemos melhor. Temos aquela sensação especial de pertencermos ao homem que nos permite, como sua parceira, dançar com os passos que já conhecemos. É com ele que decidimos tentar fazer com que o relacionamento dê certo."

antes da filosofia

Ela é eu, e ele é ele:

O fato de os oportunos presentes financeiros da mãe dele bloquearem con-venientemente qualquer tendência ao seu crescimento e maturidade, era certamente um problema para o casal, mas não o problema, como Melanie preferiu enxergar, O que estava realmente errado era o fato de ali estarem duas pessoas cujos insalubres padrões de vida e atitudes em relação ao mundo, embora diferentes, se entrosavam tão bem, na verdade, que possibilitavam um ao outro permanecer nessa insalubridade. Imagine os dois, Sean e Melanie, como dançarinos num mundo em que todos são dançarinos e crescem aprendendo sua rotina individual. Devido a acontecimentos e personalidades específicos e, mais que tudo, ao aprender as danças que foram executadas por eles durante a infância, Sean e Melanie desenvolveram separadamente um único repertório de passos, movimentos e gestos psicológicos. Então, certo dia, encontraram-se e descobriram que suas danças parecidas, quando executadas juntas, sincronizavam-se magicamente numa dupla extraordinária, num pas-de-deux perfeito de ação e reação. Cada movimento realizado por um era correspondido pelo outro, resultando numa coreografia que permitia às suas danças unidas fluírem ininterruptamente, em pêndulo. Todas as vezes que ele abandonava uma responsabilidade, ela a tomava imediatamente para si. Quando ela assumiu toda a carga familiar de educar a família, ele caiu fora, dando a ela bastante espaço para desempenhar sua tarefa com zelo.
Para Melanie, a dança podia ser excitante algumas vezes, e com mais freqüência uma dança solitária; ocasionalmente, embaraçosa ou exaustiva. Mas a última coisa que queria era parar com a dança que conhecia tão bem. Os passos, os movimentos, tudo parecia tão certo que deu à dança o nome de amor.

O problema é que ao mesmo tempo que parecia dar certo, parecia dar errado, no momento em que vc se sentia impedida de continuar a exercer a sua atividade zelosa. A partir do momento que ele deixa de querer o seu zelo. Ele simplesmente... não sabe.

E a pergunta é:

"COMO VOCÊ VEIO A CASAR-SE COM ELE?" BEM, COMO VOCÊ RESPONDERIA ISSO A ALGUÉM? COMO ELE BAIXOU A CABEÇA DE FORMA AUTODEPRECIATIVA E ERGUEU OS OLHOS PARA TE OLHAR TIMIDAMENTE, COMO UMA CRIANÇA FAZ. . . COMO ELE SE INFILTROU EM SEU CORAÇÃO: DOCE, ENCANTADOR, BRINCALHÃO. . . ELE DISSE: "VOCÊ É TÃO FORTE, QUERIDA". E EU ACREDITEI. EU ACREDITEI! MARILYN FRENCH, The Bleeding Heart

6 de dezembro de 2012

mais um tiquinho

— Obrigada por me ouvir. Acho que eu só precisava falar um pouco sobre o assunto. E eu agora entendo melhor, mas não estou preparada para abandonar tudo, não ainda! — Seu espírito estava obviamente mais iluminado, como ela mesma disse, o queixo para cima novamente: — Além disso, Sean precisa apenas crescer. E ele tem que crescer, você não acha?

Por que uma jovem mulher brilhante, atraente, cheia de energia e capaz como Melanie necessitava de um relacionamento tão cheio de dor e de opressão como o que mantinha com Sean? Por que para ela e para outras mulheres que cresceram em lares profundamente infelizes, em que a carga emocional era pesada demais e as responsabilidades grandes demais, o que parece bom e o que parece ruim confundiram-se e emaranharam-se e, finalmente, tornaram-se uma só coisa?

Melanie não apenas sobrevivia no caos, mas, na verdade, exigia de si mesma essa sobrevivência. O peso que ela carregava ajudava a evitar sua própria dor e pânico. Ele a afundava e aliviava ao mesmo tempo.


mais um pouco do livro

"- Foi quando comecei a me entender. Para mim, Garv era o que o álcool fora para minha mãe: ele era uma droga sem a qual não podia ficar. Até o dia em que o fiz ir embora, eu estivera apavorada com medo de que ele me deixasse. Assim, fazia tudo para agradá-lo. Fiz tudo que fizera quando criança: trabalhei bastante fui boa, não pedi nada para mim e cuidei do que era da responsabilidade de outra pessoa. Auto-sacrifício sempre fora meu padrão de vida por isso, não saberia quem eu era sem alguém para ajudar-me ou algum sofrimento para suportar."

Até o dia em que eu não aguentei mais, e pedi um retorno.

Totalmente desacostumada a avaliar as formas de proteger seu bem-estar, mas entendida em promover o bem-estar de outros ela mudava para relacionamentos que prometiam outra oportunidade de fazer tudo certo para outra pessoa, através da força de seu amor. A verdade em sua história é que o fracasso por não ganhar o amor através de seus esforços só a fazia esforçar-se mais.

E não é que ganhava amor, mas não ganhava o direito à continuidade, a segurança que um relacionamento permite.

O aborrecimento geralmente abrange sentimentos brandos e intensos de embaraço, que as mulheres que amam demais tendem a sentir quando estão fora do papel familiar de ajudar, de ter esperança e de prestar mais atenção no bem-estar de outra pessoa do que em seu próprio bem-estar.

Eu prestava muito mais atenção no que poderia faze-lo feliz do que no que faria a mim mesma feliz. :/

Na verdade era um embate interno tipo um anjo e um diabinho, um consciente e um inconsciente e cada um tentando fazer uma coisa.

Existe na maioria dos filhos adultos de alcoólatras, e também em descendentes de outros tipos de lares desajustados, uma fascinação por pessoas que atraem problema, e vício à excitação, principalmente a excitação negativa. Se o drama e o caos sempre estiveram presentes em nossa vida, e se, como é freqüentemente o caso, fomos forçados a negar muitos de nossos sentimentos enquanto estávamos crescendo, iremos querer com freqüência que acontecimentos dramáticos engendrem qualquer sentimento. Assim, precisamos da ex-citação da incerteza, da dor, do desapontamento e do conflito apenas para nos sentir vivos.

Para se sentir vivo, mas não para se sentir bem.

e para finalizar, ela disse tudo:

Lisa finalizou sua história: — Após Gary ter ido embora, a paz e a quietude da minha vida deixaram-me louca. Usei de tudo para não telefonar para ele e começar tudo novamente. Mas, devagar, acostumei-me com uma vida mais normal. Acrescentou, com um suspiro de alívio: - - Não estou namorando ninguém agora. Eu sei que ainda estou doente demais para ter um relacionamento saudável com um homem. Apenas sairia por aí e acharia um outro Gary. De forma que estou me planejando pela primeira vez, ao invés de tentar mudar outra pessoa.

Eu vou tentar fazer o mesmo, venho tentando.

Os dois vícios são paralelos nesse sentido, e igualmente difíceis de superar. O vício da mulher com relação ao parceiro, ou com relação a uma série de parceiros inadequados, tem sua gênese na variedade de problemas de família. Ironicamente, os filhos crescidos de alcoólatras são mais afortunados que os de outros passados desajustados, pelo menos nas grandes cidades, pois existem grupos de Al-Anon para apoiá-los conforme trabalham para superar seus problemas com auto-estima e com relacionamentos. A recuperação de relacionamentos viciados envolve conseguir ajuda de um grupo de apoio apropriado, para se quebrar o círculo do vício, e para se aprender a buscar sentimentos de auto-avaliação e bem-estar de outras fontes que não um homem, para sustentar esses sentimentos. A chave está em aprender a viver uma vida saudável, satisfatória e serena, sem depender de outra pessoa para ser feliz.

Dessa forma, não nos protegemos, e nossos pais também não, porque eles precisavam nos ver como sendo mais fortes que eles. Apesar de sermos imaturos demais para a responsabilidade, no final nós é que os protegemos. E, quando isso aconteceu, aprendemos bem cedo, mas muito bem, como cuidar de qualquer pessoa, menos de nós mesmas. Nossas necessidades de amor, atenção, cuidado e segurança permaneceram insatisfeitas, enquanto fingíamos ser mais poderosas e menos medrosas, mais crescidas e menos carentes do que realmente nos sentíamos. E, ao aprendermos a negar nosso próprio desejo de ser cuida-das, crescemos procurando mais oportunidades de fazer o que sabíamos tão bem: preocuparmo-nos com os desejos e exigências de outras pessoas ao invés de reconhecermos nossos próprios medos, nossa dor e nossas necessidades insatisfeitas. Fingimos por tanto tempo sermos crescidos, pedindo tão pouco e fazendo tanto, que agora parece tarde demais para ser a nossa vez. Então, ajudamos e ajudamos, e esperamos que nosso medo se vá e que nossa recompensa seja o amor.


5 de dezembro de 2012

mais trecho

"Interesses, valores e objetivos comuns, e capacidade de intimidade grande e sustentada são os requisitos, se é para o encanto erótico inicial de um casal finalmente transformar-se numa devoção compromissada e atenciosa, que se fortificará com o tempo. Entretanto, o que freqüentemente acontece é o seguinte: num relacionamento apaixonado, abastecido como deve ser com a excitação, o sofrimento e a frustração de um novo amor, há o sentimento de que está faltando algo muito importante. O que se quer é compromisso, um meio de estabilizar a experiência emocional caótica e de proporcionar um sentimento de proteção e segurança. Se o que se opõe ao fato de estarem juntos for superado, e se for conseguido um compromisso genuíno, esses parceiros finalmente irão se olhar e perguntar-se para onde foi a paixão. Eles sentem-se protegidos, aquecidos e amáveis um com o outro, mas um pouco enganados, também, por não estarem mais entusiasmados com o desejo um pelo outro."

Meu namoro não chegou ao nivel do compromisso, o interesse se perdeu antes mesmo de que houvesse um.

"Ou ainda, devido ao fato de faltar o desafio de tentarmos mudar alguém para tornarmos essa pessoa feliz ou para obtermos a afeição e aprovação sonegadas, poderemos simplesmente nos sentir aborrecidos com pessoas mais saudáveis. O aborrecimento geralmente abrange sentimentos brandos e intensos de embaraço, que as mulheres que amam demais tendem a sentir quando estão fora do papel familiar de ajudar, de ter esperança e de prestar mais atenção no bem-estar de outra pessoa do que em seu próprio bem-estar."

Incessantemente tentando deixá-lo feliz... :/

Mulheres que amam demais - trechos

Parece que to me vendo vomitada nesse livro... É como se eu fosse Jill e ele Randy.

"— Certa vez Randy disse que não o pressionasse, senão desapareceria. Fiquei muito assustada. Tudo dependia de mim. Tinha que amá-lo e deixá-lo em paz ao mesmo tempo. Como isso era impossível para mim, fiquei cada vez mais assustada. Quanto mais me apavorava, mais o perseguia. Em pouco tempo, Jill telefonava quase todas as noites. O acordo que fizeram foi o de se fazer revezamento, mas, quando era a vez de Randy telefonar, ficava tarde e a inquietude de Jill era demais para ser suportada. De qualquer forma, dormir estava fora de cogitação, então telefonava para ele. As conversas eram vagas e prolixas. — Ele dizia que se esquecera, e eu falava: "Como pôde esquecer?" Afinal, eu nunca me esqueci. Então, começávamos a falar dos porquês, e parecia que ele tinha medo de se aproximar de mim, e eu queria ajudá-lo a superar esse medo. Ele vivia dizendo que não sabia o que queria na vida, e eu queria ajudá-lo a perceber quais eram seus problemas."

(...) "e viagens aéreas de Jill a San Diego (é bom lembrar que seu orçamento era extremamente limitado). Suas "sessões de terapia" a longa distância com Randy eram, antes uma tentativa de transformá-lo no homem de quem precisava, do que uma tentativa de ajudá-lo a descobrir quem era. Na verdade, Randy não queria ajudar nessa descoberta. Se estivesse interessado em tal jornada de autodescoberta, teria se esforçado, ao invés de sentar-se passivamente enquanto Jill tentava forçá-lo a analisar-se. Ela fazia esse esforço porque a outra alternativa era conhecê-lo e aceitá-lo como era — um homem que não se importava com seus sentimentos nem com o relacionamento." (...)