7 de dezembro de 2012

E agora eu vejo com clareza

Se for seguir a lógica do livro, o Rafael era a minha mãe. E o Fernando o meu pai. E nenhum dos dois faz bem pra mim. Será? Eu sempre quis zelar pelos dois. A mágoa e a insatisfação por eu não ser perfeita e ver minha mãe exigir isso de mim sempre, me tornou a pessoa que eu sou. Percebo que apesar de cada um deles se parecer com um familiar diferente, há uma conexão: os dois são pessoas que possuiam algum tipo de problema. E eu me sentia confortável em tentar zelar e cuidar deles, de ajudar a resolver esses "problemas". E quando eu encontro a resistência à ajuda, eu sofro. Eu vejo que eu fazia com o Fernando coisas que me fazem lembrar minha mãe com o meu pai (ou comigo, acho que mais comigo do que com ele). (não com a mesma intensidade, não tão impositiva, pq eu sempre lutei pra não fazer parecido.) Hoje meu pai mesmo fala pra mim que não é saudável eu ficar com alguém que não sabe o que quer comigo, que não sabe o que quer da vida. Mas sabe, querer que a pessoa seja o melhor dela na verdade é o que minha mãe fazia comigo. Numa forma diferente e em um nivel muito mais intenso. Ela queria q eu fosse perfeita pra satisfazer ela. Eu queria que ele se desse bem para q eu pudesse ficar com ele, para q eu me sentisse segura ao lado dele. E eu estava disposta a qualquer coisa no mundo maluco dele. Mas desde que ele quisesse tb. E ele não quis, rejeitou todo meu desejo e carinho e zelo.


"É um velho clichê no campo da terapia o fato de as pessoas fre-qüentemente se casarem com alguém absolutamente igual à mãe ou ao pai, com quem entram em conflito durante o amadurecimento. O conceito não é muito exato. Não é tanto o fato de ser o parceiro que escolhemos absolutamente igual a mamãe ou papai, mas o fato de que com esse parceiro somos capazes de ter os mesmos sentimentos e enfrentar os mesmos desafios que encontramos ao crescermos; somos capazes de reproduzir a já tão conhecida atmosfera da infância, e usar os mesmos artifícios nos quais já temos tanta prática. Isso é o que, para muitos de nós, constitui o amor. Sentimo-nos à vontade, confortáveis e extraordinariamente "corretos" com a pessoa com quem podemos nos comportar familiarmente e sentir todos os sentimentos familiares. Mesmo que nosso comportamento nunca tenha sido correto e que os sentimentos sejam desconfortáveis, são o que conhecemos melhor. Temos aquela sensação especial de pertencermos ao homem que nos permite, como sua parceira, dançar com os passos que já conhecemos. É com ele que decidimos tentar fazer com que o relacionamento dê certo."

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