7 de dezembro de 2012

antes da filosofia

Ela é eu, e ele é ele:

O fato de os oportunos presentes financeiros da mãe dele bloquearem con-venientemente qualquer tendência ao seu crescimento e maturidade, era certamente um problema para o casal, mas não o problema, como Melanie preferiu enxergar, O que estava realmente errado era o fato de ali estarem duas pessoas cujos insalubres padrões de vida e atitudes em relação ao mundo, embora diferentes, se entrosavam tão bem, na verdade, que possibilitavam um ao outro permanecer nessa insalubridade. Imagine os dois, Sean e Melanie, como dançarinos num mundo em que todos são dançarinos e crescem aprendendo sua rotina individual. Devido a acontecimentos e personalidades específicos e, mais que tudo, ao aprender as danças que foram executadas por eles durante a infância, Sean e Melanie desenvolveram separadamente um único repertório de passos, movimentos e gestos psicológicos. Então, certo dia, encontraram-se e descobriram que suas danças parecidas, quando executadas juntas, sincronizavam-se magicamente numa dupla extraordinária, num pas-de-deux perfeito de ação e reação. Cada movimento realizado por um era correspondido pelo outro, resultando numa coreografia que permitia às suas danças unidas fluírem ininterruptamente, em pêndulo. Todas as vezes que ele abandonava uma responsabilidade, ela a tomava imediatamente para si. Quando ela assumiu toda a carga familiar de educar a família, ele caiu fora, dando a ela bastante espaço para desempenhar sua tarefa com zelo.
Para Melanie, a dança podia ser excitante algumas vezes, e com mais freqüência uma dança solitária; ocasionalmente, embaraçosa ou exaustiva. Mas a última coisa que queria era parar com a dança que conhecia tão bem. Os passos, os movimentos, tudo parecia tão certo que deu à dança o nome de amor.

O problema é que ao mesmo tempo que parecia dar certo, parecia dar errado, no momento em que vc se sentia impedida de continuar a exercer a sua atividade zelosa. A partir do momento que ele deixa de querer o seu zelo. Ele simplesmente... não sabe.

E a pergunta é:

"COMO VOCÊ VEIO A CASAR-SE COM ELE?" BEM, COMO VOCÊ RESPONDERIA ISSO A ALGUÉM? COMO ELE BAIXOU A CABEÇA DE FORMA AUTODEPRECIATIVA E ERGUEU OS OLHOS PARA TE OLHAR TIMIDAMENTE, COMO UMA CRIANÇA FAZ. . . COMO ELE SE INFILTROU EM SEU CORAÇÃO: DOCE, ENCANTADOR, BRINCALHÃO. . . ELE DISSE: "VOCÊ É TÃO FORTE, QUERIDA". E EU ACREDITEI. EU ACREDITEI! MARILYN FRENCH, The Bleeding Heart

6 de dezembro de 2012

mais um tiquinho

— Obrigada por me ouvir. Acho que eu só precisava falar um pouco sobre o assunto. E eu agora entendo melhor, mas não estou preparada para abandonar tudo, não ainda! — Seu espírito estava obviamente mais iluminado, como ela mesma disse, o queixo para cima novamente: — Além disso, Sean precisa apenas crescer. E ele tem que crescer, você não acha?

Por que uma jovem mulher brilhante, atraente, cheia de energia e capaz como Melanie necessitava de um relacionamento tão cheio de dor e de opressão como o que mantinha com Sean? Por que para ela e para outras mulheres que cresceram em lares profundamente infelizes, em que a carga emocional era pesada demais e as responsabilidades grandes demais, o que parece bom e o que parece ruim confundiram-se e emaranharam-se e, finalmente, tornaram-se uma só coisa?

Melanie não apenas sobrevivia no caos, mas, na verdade, exigia de si mesma essa sobrevivência. O peso que ela carregava ajudava a evitar sua própria dor e pânico. Ele a afundava e aliviava ao mesmo tempo.


mais um pouco do livro

"- Foi quando comecei a me entender. Para mim, Garv era o que o álcool fora para minha mãe: ele era uma droga sem a qual não podia ficar. Até o dia em que o fiz ir embora, eu estivera apavorada com medo de que ele me deixasse. Assim, fazia tudo para agradá-lo. Fiz tudo que fizera quando criança: trabalhei bastante fui boa, não pedi nada para mim e cuidei do que era da responsabilidade de outra pessoa. Auto-sacrifício sempre fora meu padrão de vida por isso, não saberia quem eu era sem alguém para ajudar-me ou algum sofrimento para suportar."

Até o dia em que eu não aguentei mais, e pedi um retorno.

Totalmente desacostumada a avaliar as formas de proteger seu bem-estar, mas entendida em promover o bem-estar de outros ela mudava para relacionamentos que prometiam outra oportunidade de fazer tudo certo para outra pessoa, através da força de seu amor. A verdade em sua história é que o fracasso por não ganhar o amor através de seus esforços só a fazia esforçar-se mais.

E não é que ganhava amor, mas não ganhava o direito à continuidade, a segurança que um relacionamento permite.

O aborrecimento geralmente abrange sentimentos brandos e intensos de embaraço, que as mulheres que amam demais tendem a sentir quando estão fora do papel familiar de ajudar, de ter esperança e de prestar mais atenção no bem-estar de outra pessoa do que em seu próprio bem-estar.

Eu prestava muito mais atenção no que poderia faze-lo feliz do que no que faria a mim mesma feliz. :/

Na verdade era um embate interno tipo um anjo e um diabinho, um consciente e um inconsciente e cada um tentando fazer uma coisa.

Existe na maioria dos filhos adultos de alcoólatras, e também em descendentes de outros tipos de lares desajustados, uma fascinação por pessoas que atraem problema, e vício à excitação, principalmente a excitação negativa. Se o drama e o caos sempre estiveram presentes em nossa vida, e se, como é freqüentemente o caso, fomos forçados a negar muitos de nossos sentimentos enquanto estávamos crescendo, iremos querer com freqüência que acontecimentos dramáticos engendrem qualquer sentimento. Assim, precisamos da ex-citação da incerteza, da dor, do desapontamento e do conflito apenas para nos sentir vivos.

Para se sentir vivo, mas não para se sentir bem.

e para finalizar, ela disse tudo:

Lisa finalizou sua história: — Após Gary ter ido embora, a paz e a quietude da minha vida deixaram-me louca. Usei de tudo para não telefonar para ele e começar tudo novamente. Mas, devagar, acostumei-me com uma vida mais normal. Acrescentou, com um suspiro de alívio: - - Não estou namorando ninguém agora. Eu sei que ainda estou doente demais para ter um relacionamento saudável com um homem. Apenas sairia por aí e acharia um outro Gary. De forma que estou me planejando pela primeira vez, ao invés de tentar mudar outra pessoa.

Eu vou tentar fazer o mesmo, venho tentando.

Os dois vícios são paralelos nesse sentido, e igualmente difíceis de superar. O vício da mulher com relação ao parceiro, ou com relação a uma série de parceiros inadequados, tem sua gênese na variedade de problemas de família. Ironicamente, os filhos crescidos de alcoólatras são mais afortunados que os de outros passados desajustados, pelo menos nas grandes cidades, pois existem grupos de Al-Anon para apoiá-los conforme trabalham para superar seus problemas com auto-estima e com relacionamentos. A recuperação de relacionamentos viciados envolve conseguir ajuda de um grupo de apoio apropriado, para se quebrar o círculo do vício, e para se aprender a buscar sentimentos de auto-avaliação e bem-estar de outras fontes que não um homem, para sustentar esses sentimentos. A chave está em aprender a viver uma vida saudável, satisfatória e serena, sem depender de outra pessoa para ser feliz.

Dessa forma, não nos protegemos, e nossos pais também não, porque eles precisavam nos ver como sendo mais fortes que eles. Apesar de sermos imaturos demais para a responsabilidade, no final nós é que os protegemos. E, quando isso aconteceu, aprendemos bem cedo, mas muito bem, como cuidar de qualquer pessoa, menos de nós mesmas. Nossas necessidades de amor, atenção, cuidado e segurança permaneceram insatisfeitas, enquanto fingíamos ser mais poderosas e menos medrosas, mais crescidas e menos carentes do que realmente nos sentíamos. E, ao aprendermos a negar nosso próprio desejo de ser cuida-das, crescemos procurando mais oportunidades de fazer o que sabíamos tão bem: preocuparmo-nos com os desejos e exigências de outras pessoas ao invés de reconhecermos nossos próprios medos, nossa dor e nossas necessidades insatisfeitas. Fingimos por tanto tempo sermos crescidos, pedindo tão pouco e fazendo tanto, que agora parece tarde demais para ser a nossa vez. Então, ajudamos e ajudamos, e esperamos que nosso medo se vá e que nossa recompensa seja o amor.


5 de dezembro de 2012

mais trecho

"Interesses, valores e objetivos comuns, e capacidade de intimidade grande e sustentada são os requisitos, se é para o encanto erótico inicial de um casal finalmente transformar-se numa devoção compromissada e atenciosa, que se fortificará com o tempo. Entretanto, o que freqüentemente acontece é o seguinte: num relacionamento apaixonado, abastecido como deve ser com a excitação, o sofrimento e a frustração de um novo amor, há o sentimento de que está faltando algo muito importante. O que se quer é compromisso, um meio de estabilizar a experiência emocional caótica e de proporcionar um sentimento de proteção e segurança. Se o que se opõe ao fato de estarem juntos for superado, e se for conseguido um compromisso genuíno, esses parceiros finalmente irão se olhar e perguntar-se para onde foi a paixão. Eles sentem-se protegidos, aquecidos e amáveis um com o outro, mas um pouco enganados, também, por não estarem mais entusiasmados com o desejo um pelo outro."

Meu namoro não chegou ao nivel do compromisso, o interesse se perdeu antes mesmo de que houvesse um.

"Ou ainda, devido ao fato de faltar o desafio de tentarmos mudar alguém para tornarmos essa pessoa feliz ou para obtermos a afeição e aprovação sonegadas, poderemos simplesmente nos sentir aborrecidos com pessoas mais saudáveis. O aborrecimento geralmente abrange sentimentos brandos e intensos de embaraço, que as mulheres que amam demais tendem a sentir quando estão fora do papel familiar de ajudar, de ter esperança e de prestar mais atenção no bem-estar de outra pessoa do que em seu próprio bem-estar."

Incessantemente tentando deixá-lo feliz... :/

Mulheres que amam demais - trechos

Parece que to me vendo vomitada nesse livro... É como se eu fosse Jill e ele Randy.

"— Certa vez Randy disse que não o pressionasse, senão desapareceria. Fiquei muito assustada. Tudo dependia de mim. Tinha que amá-lo e deixá-lo em paz ao mesmo tempo. Como isso era impossível para mim, fiquei cada vez mais assustada. Quanto mais me apavorava, mais o perseguia. Em pouco tempo, Jill telefonava quase todas as noites. O acordo que fizeram foi o de se fazer revezamento, mas, quando era a vez de Randy telefonar, ficava tarde e a inquietude de Jill era demais para ser suportada. De qualquer forma, dormir estava fora de cogitação, então telefonava para ele. As conversas eram vagas e prolixas. — Ele dizia que se esquecera, e eu falava: "Como pôde esquecer?" Afinal, eu nunca me esqueci. Então, começávamos a falar dos porquês, e parecia que ele tinha medo de se aproximar de mim, e eu queria ajudá-lo a superar esse medo. Ele vivia dizendo que não sabia o que queria na vida, e eu queria ajudá-lo a perceber quais eram seus problemas."

(...) "e viagens aéreas de Jill a San Diego (é bom lembrar que seu orçamento era extremamente limitado). Suas "sessões de terapia" a longa distância com Randy eram, antes uma tentativa de transformá-lo no homem de quem precisava, do que uma tentativa de ajudá-lo a descobrir quem era. Na verdade, Randy não queria ajudar nessa descoberta. Se estivesse interessado em tal jornada de autodescoberta, teria se esforçado, ao invés de sentar-se passivamente enquanto Jill tentava forçá-lo a analisar-se. Ela fazia esse esforço porque a outra alternativa era conhecê-lo e aceitá-lo como era — um homem que não se importava com seus sentimentos nem com o relacionamento." (...)


Livros

Além dos Cinquenta tons mais escuros e do livro de Processo do Trabalho, comecei a ler Mulheres que amam demais. E vou colocar o prefácio aqui, pq eu me idenfiquei.

Prefácio 

QUANDO AMAR significa sofrer, estamos amando demais. Quando grande parte de nossa conversa com amigas íntimas é sobre ele, os problemas, os pensamentos, os sentimentos dele — e aproximadamente todas as nossas frases se iniciam com "ele...", estamos amando demais. Quando desculpamos sua melancolia, o mau humor, indiferença ou desprezo como problemas devidos a uma infância infeliz, e quando tentamos nos tornar sua terapeuta, estamos amando demais. Quando lemos um livro de auto-ajuda e sublinhamos todas as pas-sagens que pensamos que irão ajudá-lo, estamos amando demais. Quando não gostamos de muitas de suas características, valores e comportamentos básicos, mas toleramos pacientemente, achando que, se ao menos formos atraentes e amáveis o bastante, ele irá se modificar por nós, estamos amando demais. Quando o relacionamento coloca em risco nosso bem-estar emo-cional, e talvez até nossa saúde e segurança física, estamos defini-tivamente amando demais. Apesar de toda a dor e insatisfação, amar demais é uma experiência tão comum para muitas mulheres, que quase acreditamos que é assim que os relacionamentos íntimos devem ser. A maioria de nós amou demais ao menos uma vez, e, para muitas, está sendo um tema repetido na vida. Algumas nos tornamos tão obcecadas por nosso parceiro e nosso relacionamento, que quase não somos capazes de agir.

E um pedacinho do primeiro capítulo:

Neste livro, analisaremos a fundo as razões por que tantas mulheres, procurando alguém para amá-las, parecem encontrar inevitavelmente parceiros doentios e não afetuosos. Devemos ver o motivo, já que o relacionamento não satisfaz nossas necessidades, mas temos tanta dificuldade em acabar com ele. Veremos que amar se torna amar demais quando nosso parceiro é inadequado, desatencioso ou inacessível e, mesmo assim, não conseguimos abandoná-lo — de fato, nós o queremos, precisamos dele ainda mais. Passaremos a compreender como o fato de querermos amar, de ansiarmos por amor ou de amar em si torna-se um vício. Vício é uma palavra assustadora. Ela evoca imagens do dependente de heroína espetando agulhas nos braços e levando uma vida obviamente autodestrutiva. Não gostamos da palavra e não gostamos de aplicar o conceito à forma de nos relacionarmos com homens. Mas muitas de nós fomos viciadas em um homem e, como qualquer outra pessoa viciada, temos que admitir a seriedade de nossos problemas para que possamos empreender a recuperação.

Acho que meu problema é vício.

4 de dezembro de 2012

The new part of me

Então, eu to vivendo em ondas né. Mas algo aqui dentro explodiu hj de manhã com o pesadelo maldito dele me batendo. Na verdade eu sei bem o que esse sonho quer dizer. Não quer dizer que de fato ele vá me agredir fisicamente. Eu diria que jamais ele faria isso. Na verdade acho que a agressão é uma metáfora ao sentimento, que meu sentimento se sente agredido pela atitude dele.

Mas hoje muitas coisas inusitadas aconteceram. Fez exata uma semana e um dia q eu briguei com o Douglas. E ele finalmente veio me dar um tímido oi, depois desse tempo todo. Já foi um começo, foi bom não ter corrido atrás dele pra tentar resolver a questão.

E é isso que eu devo fazer com outras coisas da vida tb. Vou parar de correr atrás do que me machuca. E vou deixar a vida me levar. Pq se realmente ele quiser, ele virá, ele sentirá falta. E eu não quero mais ficar me auto agredindo. Tá muito confortável pra ele assim né. Mais fácil ficar parado do que tentar salvar o relacionamento com a pessoa que ele diz amar muito. (e eu não to debochando, to falando sério, pq isso é contraditório.)

Depois me senti abalada vendo a foto de uma coisinha bonitinha q eu tinha feito pro ex no facebook. E a mensagem cheia de amor explícito q ele tinha deixado pra mim como resposta. Parecia que seria infinito e que a gente jamais se separaria.

Só que não. Engraçado né como a vida é estranha. As coisas têm intensidade de infinito, mas são finitas. 

E eu tenho de aceitar o finito. Pq de que adianta eu sozinha correr atrás? Não sou boba, até de correr atrás a gente cansa.

E que semana hen? Que semana... essa que passou, tudo junto ao mesmo tempo. O Fernando, o Douglas, o meu pai e seu comentário infeliz. 

A coisa mais feliz foi a chuva, a balada de sábado. A sensação de renovação. E é isso, vou me renovar.  Rum, e eu serei feliz de novo. Aliás eu sou feliz. só to vivendo uma fase obscura. 

E tenho de andar com gente alto astral.