29 de outubro de 2012

a tensão

Bom, depois de muito tempo sem postar no muro das lamentaçõs, não tem jeito, venho aqui me lamentar.

O negócio tá dificil.

Ele veio pra cá e era pra ser tudo lindo e feliz, ou pelomenos ser tentado que fosse assim. Fiquei super animada com a possibilidade de termos uma evolução na nossa relação, uma vez que ele se encontraria mais perto de mim... Só que não.

Algo se perdeu no meio do caminho. Ele não cumpriu nenhuma das promessas feitas quando ele veio, e já fazem dois meses que ele está aqui (vão fazer dois meses daqui dois dias). E ele também não está feliz aqui. 

Acredito eu que no fundo no fundo ele já trazia um problema dentro dele desde quando ele terminou comigo em junho (talvez até de antes, mas eu não percebia). Uma depressãozinha ali cutucando ele, até que ela cresceu e agora, hoje, ela é bem aguda. Só que nem ele tem essa consciencia.

Ele colocou na cabeça dele que essa reclusão dele é normal, coisa de japonês. Me desculpe, mas não é não. Uma coisa que é característica genética do japonês é a pessoa ser reservada, mas não anti-social. Ele está cada vez mais anti social, mais out do mundo. Alheio as coisas e ao nosso namoro. Ele acha que por ele estar aqui não precisa ficar tanto comigo. Pra ele é cansativo dedicar um pouco de seu tempo a minha pessoa e a frequentar lugares juntos. Uma alegação que tem se tornado frequente é o cansaço e a falta de vontade de ver gente desconhecida (e conhecida também, diga-se de passagem).

Ele não está se adaptando a mudança para Brasília, mas isso foi só um agravante de um problema já existente. 

Outro problema que foi gerado tb é a infantilidade na relação comigo. Uma vez ele já havia me dito que me amava como menino. E agora ele se comporta como um. Apesar de agora dizer que vê sim como uma mulher, eu não acredito, pois ele agora me trata como uma criança. Faz voz de criança e tudo é inho. o tempo todo. Eu só vejo o Fernando homem quando nós estamos com mais gente em volta. Ai ele fica o que eu diria "normal". Ainda assim ele insiste em brincadeiras repetitivas, e não inova. Como uma criança mesmo que não se cansa de repetir um jogo. E isso está minando a nossa relação. Por que tudo é voz de criança, papo de criança, brincadeira de criança e isso está me deixando desencantada. Você começa a não enxergar mais a pessoa como um adulto, um amante (não no sentido de amante latino, mas de parceiro do amor mesmo). 

E eu acredito que isto seja reflexo de uma depressão séria que está acontecendo. E eu não sei se o tratamento dele vai de fato adiantar. Ele vai se entupir de remedios e será q isso irá realmente ajudá-lo? Muito vem da depressão, mas muito vem da cabeça tb. 

Eu me sinto amarrada, não sei o que fazer para ajudá-lo pois eu ja tentei conversar com ele algumas vezes e percebo ele tentando justificar as coisas com coisas que não são de fato a realidade, sei que pra ele deve ser dificil aceitar algumas coisas. 

Só sei que ambos não estamos felizes. 

Não consigo entender a lógica de uma pessoa que mora pra mesma cidade da namorada e passa a semana sem querer ve-la. Que se nega a ir a eventos sociais com a namorada, mesmo que isso proporcione momentos diferentes juntos. Ele não sai mais. Só fica em casa. Literalmente (e isso tem umas duas semanas - e ir pro shopping almoçar correndo antes de ir pro trabalho não conta, não é momento de descontração, é necessidade, ir ao mercado é necessidade e vc vê pessoas estranhas e desconhecidas em volta... Eu acreditava que quando ele viesse nosso relacionamento se tornaria mais intenso, melhor, mais compartilhado, com companheirismo. E sinceramente, a gente tá se vendo menos e fazendo bem menos coisaas do que a gente fazia quando ele morava lá. Teve uma semana que a gente passou oito dias sem se ver, e chamei ele pra sair comigo na sexta feira, ele não quis ir, a gente se viu no sabado só, e ficamos em casa. Na outra semana eu chamei pra sair na quinta, nada. Sexta, nada. Sábado dormiu até uma hora da tarde, e chegou lá em casa só as 17hs... pq ai eu tb ja tava desanimada, até ele se arrumar e tudo mais, ia demorar pra gente poder ir na feira comprar as coisas q ele precisava. Eu precisava ir no conic tb pra comprar as coisas da minha dieta... ai a noite o povo foi la em casa (oba, socialização) e ele demorou pra se integrar na conversa (isso aconteceu no outro sabado tb) ele só se soltou depois que bebeu. E eu fiquei muito preocupada pq ele bebeu tomando remedios antidepressivos q ele acabou de começar a tomar... o corpo dele nem se acostumou com o remedio. Vejo que ele anda desleixado com ele mesmo, não tem um carinho com ele mesmo, de se cuidar, de querer se arrumar, ficar bonito pra mim, dorme sem escovar os dentes. Tá sempre mole, dorme, acorda, fica mole, come, fica mole, faz amor, fica mole, trabalha, fica mole, se mexe, fica mole. Desânimo é contagioso, e me contagiou. Eu tentei me manter firme e animada, mas tá dificil, muito dificil. 

Sinto falta dos paparicos, de ir pra um barzinho nós dois, cinema, pontão... dos amassos em qualquer lugar. Tá tudo tão.. igual. sempre em casa. Não o vejo mais fazer propostas pra sair ou pra fazer algo diferente. E também cansa só vc ficar chamando pra fazer algo diferente.

Sabe eu vejo ele perdido. E vejo também que eu deixo ele mais perdido ainda, pq eu também tenho minhas necessidades, e é como dizem a gente tem que estar feliz com a gente primeiro pra depois amar e fazer a outra pessoa feliz. Eu estava feliz, até o dia em que descobri que ele não estava. E ele continua não estando. Só que o que ele quer q eu faça para deixá-lo feliz, me deixa infeliz. Não quero ficar só em casa (ficar em casa não é ruim, mas a gente se vê pouco. 

E sim, tenho medo do que será no David Guetta, de como será a disposição dele no dia.

E sinto meu coração fragilizado pq ele já estava partido.. mas os remendos não estão se colando. As coisas que vem acontecendo nos ultimos tempos me deixam triste. O não cumprimento das promessas, a atitude egoísta de me querer sempre pronta pra ouvir as queixas dele, e se quer olhar pra mim antes e saber se eu estou bem para ouvir, ou se o momento é adequado para tanto (o dia da prova da camara... foi triste). De colocar sutilmente o peso da vinda dele para Brasília em cima de mim. As palavras e atitudes têm peso. Dizer que eu sou a unica coisa boa que tem aqui é o mesmo de dizer que a culpa é minha de ele ter vindo e não estar feliz. E eu falei pra ele não fazer isso comigo quando ele tomou a decisão de vir pra ca. E ele está fazendo.

E tudo isso vai me minando, e minando o nosso relacionamento. Eu venho tentando fazer as coisas pra animá-lo e me animar. Mas não tá fácil. Não sei explicar. Existe um vazio ali no meio. E eu me sinto impotente. Como se não houvesse mais nada a ser feito. E que eu deveria deixá-lo livre pra se encontrar. E para se sentir feliz. 

Uma coisa que ele me disse que me marcou muito foi quando ele falou que desde que ele começou a namorar comigo, que ele nunca chorou e sofreu tanto. Não quero mais ser um sofrimento pra ele. Um relacionamento merece leveza, felicidade, trazer coisas boas para os dois. Talvez eu não saiba faze-lo feliz.  Talvez o que eu quero é mais do que ele pode me dar.

E o fato de eu ser assim o fere também. 

E ninguém está feliz.

Ninguém.

Só sei que eu preciso descansar a mente, o corpo e a alma. Tô sobrecarregada e não estou conseguindo fazer nada direito. Nem fazê-lo feliz, nem apoiá-lo como deveria, não estou mais sabendo lidar com a situação. É uma coisa muito dificil de entender.

Eu não quero magoar ninguém, muito menos uma pessoa a quem amo e tenho carinho, e nem quero ser magoada também. Não quero fazê-lo infeliz, muito pelo contrário. É como ele mesmo disse uma vez: nós somos muito opostos (talvez por isso tenhamos nos atraído tanto) mas ao mesmo tempo, é como um porco espinho tentando namorar outro... ficam se espetando, e ai é só sangue, ele se sente incompreendido, e eu também.






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